A reação de Trump veio depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sugerir que Ottawa poderia se tornar um "membro associado" do bloco. "Se eles fizerem isso, se eu achar que é um ato hostil, vou impor tarifas muito altas ou interromper o comércio com a Europa em muitos produtos", disse o presidente americano a jornalistas durante o deslocamento para um evento na Carolina do Norte, chamando a proposta de "risível".

Também nesta quinta, Carney discursou no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França, e afirmou que Canadá e Europa são "ainda mais fortes juntos", dizendo receber com entusiasmo a proposta apresentada por von der Leyen. "Não estou propondo um 3º bloco para nos tornarmos um rival de superpotência apenas com melhores modos", declarou. "Não buscamos o poder para dominar os outros. Pelo contrário, estamos buscando a resiliência para que ninguém possa controlar nossos mercados abertos, prejudicar nossa soberania, ameaçar nossa integridade territorial ou minar nossas liberdades, nossas democracias e nosso Estado de direito", acrescentou.

A Comissão Europeia rejeitou a interpretação de Trump de que a iniciativa poderia representar uma ação contra os Estados Unidos. Segundo o porta-voz Olof Gill, o fortalecimento das relações com o Canadá "não é contra ninguém", mas busca ampliar a capacidade conjunta dos parceiros.

Na quarta-feira, 16, von der Leyen propôs que o Canadá se torne o primeiro "membro associado" da União Europeia e pediu o aumento da cooperação em tecnologia, defesa e energia. A mensagem foi recebida com aplausos no Parlamento Europeu. Em resposta à crescente hostilidade de Trump e à imposição de tarifas, o Canadá e o bloco europeu estreitaram vínculos nos últimos meses.

A ameaça desta quinta-feira se soma a uma guerra comercial em curso entre Washington e Ottawa. Daqui a duas semanas, os Estados Unidos vão proibir a importação de produtos canadenses como laticínios, motocicletas e a maior parte das bebidas alcoólicas. A medida, anunciada na terça-feira, 8, amplia o conflito entre os dois países e ocorreu um dia depois de o Canadá impor tarifas de 27 bilhões de dólares canadenses (US$ 20 bilhões) sobre produtos americanos.

A justificativa apresentada pelo governo de Trump é responder às tarifas canadenses e proteger a produção doméstica. As medidas serão aplicadas com base na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, que permite ao presidente dos EUA barrar produtos de países considerados discriminatórios contra o comércio americano. No ano passado, Estados Unidos e Canadá movimentaram quase US$ 900 bilhões em comércio. As novas restrições foram anunciadas depois que negociações para um acordo comercial entre os dois governos fracassaram no mês passado.