A edição deste ano integra a primeira Semana de Arte do Rio, iniciativa realizada de 16 a 27 de setembro de 2026 que reúne festivais de diferentes linguagens, exposições, intervenções urbanas e atividades culturais em equipamentos públicos e privados da região central da cidade. A programação integrada envolve espaços culturais, museus, centros culturais, teatros, galerias e outros equipamentos, com propostas que abrangem diferentes áreas da produção artística contemporânea.
Realizado pela Borogodó Empreendimentos Culturais, o festival conta com patrocínio da Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e parceria do Canal Curta. Em 2025, o FIL foi reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Idealizado e dirigido por Karen Acioly, o festival completa mais de duas décadas de atividades voltadas ao encontro entre diferentes gerações e linguagens artísticas.
“O FIL, para além da programação, se reconhece como um território simbólico e um espaço de produção de sentidos, de encontros notáveis de partilha cultural, de sensibilização e de formação, onde o instante vivido se transforma em tempo poético; a experiência em memória, o imaginário como força criativa, viva de ressonância e repercussão da arte multicultural”, afirma Karen Acioly.
Entre os destaques internacionais está “Reminiscência”, do chileno Malicho Vaca Valenzuela, que abre o festival no Teatro I do CCBB. Criado a partir do período de confinamento provocado pela pandemia, o espetáculo combina teatro documental e artes digitais para investigar memórias pessoais e coletivas de Santiago. Histórias familiares, relações amorosas, conflitos sociais e marcas das ditaduras aparecem na montagem, enquanto um mapa digital transforma a capital chilena em um território de lembranças. O espetáculo já recebeu prêmios em festivais internacionais.
Da Espanha vem “NIL”, vencedor do Festival Titirijai, montagem que utiliza marionetes de fio, um ator, artefatos eletrônicos e outros elementos para criar uma narrativa sobre ciclos, transformações e os desafios de enfrentar a si mesmo. A Argentina participa com “Con un kilo de harina”, vencedor do prêmio de Melhor Espetáculo de Objetos na FETEN 2022. Em cena, farinha e utensílios de cozinha ganham novas formas nas mãos de um ator, que conta a trajetória de Giuseppe, jovem que migra para a Argentina em busca de um futuro melhor. A montagem é indicada para crianças a partir de 6 anos.
A programação nacional marca os 30 anos d’O Passo, método brasileiro de educação musical criado por Lucas Ciavatta. O projeto terá dois momentos no festival: o Guarnicê d’O Passo, na Rotunda do CCBB, e o Reencontro O Passo no FIL, resultado de um processo de criação coletiva com oito ex-integrantes dos grupos d’O Passo. Canções, palmas, movimentos e percussão aparecem em ritmos como Boi, Maracatu e Coco, em apresentações que também convidam o público a participar. Criado no Brasil, O Passo é atualmente a única metodologia do Sul Global indicada pela Filarmônica de Paris e é utilizada em diferentes espaços de formação musical.
Entre as atrações brasileiras está “Grande Circo Grandevo”, de São Paulo, que acompanha uma trupe de artistas circenses envelhecidos diante da necessidade de reinventar seus números a partir das possibilidades e limitações de seus corpos. A montagem utiliza marionetes para abordar envelhecimento, humor e criação. Do Rio de Janeiro, “Azul” acompanha Violeta, uma menina de 4 anos que busca maneiras de se conectar com o irmão, que vivencia o mundo de forma singular. A música funciona como uma ponte entre os dois em uma montagem que aborda o transtorno do espectro autista pelo olhar infantil. O espetáculo recebeu o Prêmio APCA de Espetáculo do Ano e o Prêmio APTR de Melhor Espetáculo e é indicado para crianças a partir de 4 anos.
Para o público jovem, “Batalha Oroboro – rap, repente, resistência” aproxima as batalhas de rima do hip hop dos embates do repente nordestino. A história parte do encontro entre Lyz, uma MC cega, e seu avô, poeta nordestino que migrou para São Paulo. O humor também aparece em “O Incrível Ladrão de Calcinhas”, que acompanha o detetive Bill Flecha em uma investigação que começa com o roubo de uma peça íntima e ganha contornos de uma trama noir. Santa Catarina participa com “O Velho Lobo do Mar”, aventura de marionetes sobre Charlie, que fica perdido em uma ilha no Atlântico, e “Kasperl e a Cerveja do Papa”, comédia que envolve um frei beberrão, um mosteiro e a visita do Papa.
A tecnologia ganha espaço em Multimundos FIL, experiência que reúne seis propostas de artistas das artes digitais. As obras convidam o público a circular por universos em que arte, tecnologia, imagem, corpo e percepção se encontram. Entre as experiências estão “Raízes Cósmicas”, de Crisia e Plinio Hit; “Astronauta Patrusko”, de Nilton Mendonça; e “Nova Fronteira”, de Dario Melo Maciel. A programação audiovisual inclui ainda a Mostra de Curtas Ibero-Americanos, realizada em parceria com o IberCultura Viva, com produções de diferentes países sobre infâncias e mundos contemporâneos, e uma mostra dedicada à infância do cineasta mineiro Alan Minas, com filmes como “A Família Dionti” e “A Língua das Coisas”. O público poderá participar de bate-papos com realizadores.
A programação musical inclui “Coro na Roda canta e dança Cosme e Damião”, experiência que reúne voz, escuta e musicalidade em uma atividade voltada ao encontro entre diferentes gerações. Outra atração é “Larilá”, experiência de leitura musicada de uma ópera para crianças, com libreto de Karen Acioly e partitura original de Arrigo Barnabé. A história acompanha Larilá, uma vendedora de mariolas, e seu irmão João. O livro será lançado durante o festival.
O FIL também terá atividades voltadas à formação, como o Seminário de Literatura Infantil e Dramaturgia, realizado em parceria com o NELIJ/UERJ, o Colóquio Internacional de Marionetes e Formas Animadas, com representantes de festivais do Brasil, Chile, Portugal, Espanha e Argentina, e uma oficina para profissionais conduzida pelo marionetista argentino Fernan Cardama. Uma característica presente na programação é a realização de bate-papos com os artistas após os espetáculos, permitindo que o público conheça processos de criação e os caminhos percorridos pelas obras. O projeto Observadores FIL, em parceria com a Escola de Comunicação da UFRJ, convida estudantes de jornalismo a acompanhar e registrar o festival.
Para Karen Acioly, a mistura entre linguagens está no centro da proposta desta edição. “A poética dos imaginários do FIL parte da compreensão de que nenhuma linguagem existe isoladamente: uma linguagem traz muitas outras dentro dela. Uma imagem pode despertar um som, um gesto pode abrir uma narrativa, uma palavra pode provocar uma memória e criar novos mundos”, define a diretora. “É quando começamos a imaginar a partir do que vemos, participamos e vivenciamos; quando fazemos parte de uma criação e somos convidados a inventar novos sentidos para aquilo que se apresenta”, completa.
O festival ocorre no Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB Rio, na Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro. As sessões de cinema têm entrada gratuita, com retirada de ingresso pela bilheteria ou pelo site do CCBB; a Rotunda tem livre acesso; a Sala 26 e o auditório do 4º andar recebem entrada gratuita mediante senha e inscrição. Nos Teatros I, II e III, os ingressos são a preços populares, com inteira a R$ 30 e meia a R$ 15. A classificação indicativa varia de acordo com cada espetáculo.