No segmento de administração pública, educação, saúde e serviços sociais, onde se concentram os salários mais elevados, a média de ganhos das pessoas com deficiência chega a R$ 3.223, o que corresponde a 78 % da remuneração média dos colegas sem deficiência (R$ 4.146).

A composição da renda familiar também difere: nos domicílios que têm ao menos um morador com deficiência, a renda do trabalho representa 55,7 % do total da renda do lar, enquanto nas residências sem pessoas com deficiência esse percentual sobe para 78,4 %, indicando maior dependência de outras fontes de recursos nesses lares.

O Censo contabiliza 13,71 milhões de brasileiros em idade de trabalhar que declararam alguma deficiência; desses, 3,97 milhões estavam ocupados, o que confirma a taxa de ocupação de 29 %.

A taxa de ocupação varia conforme o tipo de limitação: a mais baixa (12,9 %) ocorre entre quem tem dificuldades associadas a limitações nas funções mentais; outras categorias com ocupação abaixo da média são quem tem dificuldade para caminhar ou subir degraus (17,2 %) e quem tem dificuldade para pegar objetos pequenos (17,7 %). Por outro lado, as maiores taxas são observadas entre quem tem deficiência visual (35,9 %) e auditiva (27,5 %).

Diferenças de raça e gênero também são evidentes. Entre os trabalhadores com deficiência, homens pretos ou pardos apresentam taxa de ocupação de 36 %, ligeiramente superior à dos homens brancos (34,6 %). Entre as mulheres, a taxa é de 25,6 % para pretas ou pardas e de 22,7 % para brancas. Essa tendência se inverte na população sem deficiência, onde a taxa de ocupação é maior entre os brancos.

Esses números ressaltam a persistente desigualdade salarial e de acesso ao mercado de trabalho para pessoas com deficiência no Brasil, apontando para a necessidade de políticas públicas mais efetivas de inclusão e de combate à discriminação no âmbito laboral.