O pedido foi apresentado depois de Lula dizer, em um comício em Ceilândia na quarta-feira, dia 16, que não daria dinheiro ao banco. O presidente afirmou que não deixaria a população sem recursos, mas rejeitou destinar dinheiro ao BRB. Na petição, a PGDF buscou distinguir essa hipótese da garantia necessária à operação pretendida pelo Distrito Federal.
A discussão ocorre enquanto avançam as investigações sobre transações entre o BRB e o Banco Master. Em documentos cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF, a Polícia Federal aponta cerca de R$ 17 bilhões em operações fictícias ou sem sustentação material.
Segundo a PF, o esquema envolveu produção em massa de documentos falsos, manipulação de dados internos e uso de uma empresa de fachada. Os investigadores atribuem à alta administração do BRB participação consciente nas irregularidades e citam especialmente o então presidente Paulo Henrique Costa.
Em outra dimensão da apuração, a polícia calculou em R$ 20 bilhões as transferências do BRB para operações consideradas incompatíveis com a saúde financeira da instituição. A PF também atribui ao ex-presidente do banco prática de corrupção. As conclusões são das investigações relatadas nos documentos tornados públicos.
Daniel Vorcaro, dono do Master, e Paulo Henrique Costa estão presos. Procurada pela reportagem, a defesa de Vorcaro não comentou. Não houve resposta dos advogados de Costa até a publicação do relato.
O Master vendeu ao BRB carteiras de crédito que a investigação considera fictícias. Em 2025, o banco estatal do Distrito Federal tentou comprar o Master, mas o Banco Central rejeitou a operação. A instituição de Vorcaro foi liquidada, e o BRB ficou com um prejuízo bilionário ainda não integralmente calculado nem coberto.
De acordo com os investigadores, as dificuldades de liquidez do Master se agravaram a partir de 2024. Para obter recursos, o banco ampliou a venda de carteiras ao BRB. Nesse contexto, teria sido criada a Tirreno, suspeita de servir como veículo para emissão e circulação dos ativos.
A Tirreno repassava créditos ao Master, que os revendia ao BRB. Segundo a PF, o mecanismo buscava dar lastro a transações já realizadas, pois o Master não tinha histórico nem capacidade operacional de produzir crédito consignado nos volumes envolvidos. Os relatórios afirmam ainda que a diretoria do BRB aprovava compras com tramitação acelerada, contrariando pareceres jurídicos que exigiam consulta ao Conselho de Administração.