Durante os cinco anos de mandato, a prefeitura do Rio de Janeiro preencheu 8.903 cargos comissionados – posições de direção, chefia e assessoramento que dispensam concurso público – segundo levantamento dos contracheques.

Dos comissionados, 1.763 tinham filiação partidária e 543 já haviam disputado eleições, indicando que parte significativa das indicações foi direcionada a apadrinhados políticos.

O total gasto com os salários desses servidores vinculados a partidos chegou a R$ 404 milhões, conforme os dados de contracheques analisados.

Embora a maioria das nomeações tenha sido feita a membros do partido de Paes (PSD), também foram indicados representantes do Centrão e de siglas de esquerda que hoje compõem a ampla coligação do ex-prefeito na disputa pelo governo do Rio.

Em alguns casos, a remuneração bruta dos comissionados superou o salário do próprio prefeito, que é de R$ 35 mil (cerca de R$ 26 mil líquidos após descontos).

Os valores que excedem o teto constitucional do funcionalismo público foram retidos pela prefeitura, mas continuam a representar um custo significativo para os cofres municipais.

A maior média de salário bruto foi registrada por Dalila de Brito Ferreira, da Secretaria de Fazenda e Planejamento, filiada ao União Brasil e ex‑suplente na Assembleia Legislativa do Rio; sua remuneração média foi de R$ 52 mil, com líquido de R$ 26 mil em março de 2026.

Outros nomes que apareceram entre os maiores salários incluem o candidato a deputado federal pelo PCdoB, Elias Jabbour, ex‑presidente do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos, com média bruta de R$ 51 mil e líquido de cerca de R$ 39 mil, impulsionado por jetons; o ex‑vereador Duda Petra (Podemos), subsecretário de Legado, com média bruta de R$ 50,8 mil e líquido de R$ 32 mil; o ex‑deputado Rodrigo Carvalho Ribeiro Dantas (União), subsecretário executivo de Fazenda, com média bruta de R$ 35 mil e líquido de R$ 26 mil; e o ex‑deputado Eduardo Corrêa Lima Furtado (PSB), subsecretário de Operações da Secretaria de Transportes, com média bruta de R$ 35 mil e líquido de R$ 24 mil.

Esses números revelam a extensão da prática de nomeações políticas na gestão de Paes e levantam questões sobre a eficiência do gasto público e a meritocracia nos cargos de confiança ao encerrar sua administração.