Um grupo de investigadores da Organização das Nações Unidas entregará na segunda‑feira (21) um relatório ao Conselho de Direitos Humanos, acusando os Estados Unidos de ter praticado crimes de guerra ao lançar ataques indiscriminados que mataram e feriram civis iranianos, e ao mesmo tempo documentando a repressão sistemática do governo iraniano contra protestos internos.

O documento destaca, entre os ataques analisados, o bombardeio com mísseis Tomahawk da escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, que matou mais de 150 pessoas, quase 120 delas crianças, e um segundo ataque de precisão sobre um complexo esportivo e uma zona residencial em Lamerd, que resultou em 22 mortes civis.

Com base nas evidências recolhidas, os investigadores afirmam que há “motivos razoáveis” para concluir que os Estados Unidos violaram o direito internacional humanitário ao conduzir operações que não distinguiram entre alvos militares e civis, causando perdas de vidas e danos a bens de caráter civil.

Paralelamente, o relatório denuncia uma escalada da repressão iraniana contra manifestações que começaram no fim de 2025, motivadas pelo aumento do custo de vida. As autoridades usaram leis repressivas, força letal e a pena de morte como instrumentos de intimidação, atingindo todas as 31 províncias do país.

Segundo o documento, as forças de segurança mataram manifestantes, incluindo ao menos 221 menores de idade, atacaram centros de saúde e prenderam dezenas de milhares de pessoas. Entre março e agosto de 2026, pelo menos 29 homens foram executados após julgamentos sumários relacionados aos protestos, e mais de 70 pessoas – entre elas cinco mulheres e três crianças – permanecem sob risco iminente de execução.

Os investigadores pedem aos 47 países membros do Conselho de Direitos Humanos que pressionem os Estados Unidos, Israel e Irã a interromper imediatamente as hostilidades, que adotem medidas diplomáticas rápidas para garantir uma paz permanente, que investiguem independentemente as supostas violações do direito internacional e que assegurem asilo a civis que buscam refúgio no exterior.

O governo dos Estados Unidos respondeu ao relatório nesta quinta‑feira (17), afirmando que não dá “nenhum crédito” ao documento e acusando o Conselho de Direitos Humanos de trair seus próprios valores ao adotar retórica anti‑americana e antissemitismo, enquanto tenta apaziguar regimes repressivos.

Com a apresentação oficial prevista para o dia 21, a comunidade internacional aguarda a reação dos membros do Conselho de Direitos Humanos, que ainda não inclui Irã, Israel ou Estados Unidos, para decidir sobre possíveis sanções, investigações independentes e medidas de proteção aos civis afetados pelo conflito.