Taraneh participou das manifestações ao lado da irmã gêmea, Romina, e foi presa uma semana depois, durante uma operação policial na casa onde estava. A condenação foi proferida em 31 de agosto, por sua suposta participação em incidentes em uma praça que deixaram dois mortos, entre eles um integrante das forças de segurança, de acordo com as duas organizações.

Outros acusados no mesmo caso receberam penas de até 36 anos de prisão. Romina está entre os condenados. Oito meses depois dos atos, Taraneh, que completou 21 anos enquanto estava detida, permanece no corredor da morte.

Em relatos à AFP, familiares disseram que a jovem sofre violência física e pressão psicológica constante. Um primo que vive nos Estados Unidos, Masud Nourmohamadi, afirmou que agentes obrigaram Taraneh a ouvir os gritos da irmã durante sessões de tortura e ameaçaram violentar Romina para obter sua assinatura nas confissões.

O Centro para os Direitos Humanos no Irã, sediado nos Estados Unidos, também manifestou preocupação com a saúde da jovem e informou que ela apresenta dificuldade para andar. As denúncias sobre o tratamento recebido na prisão são atribuídas à família e às entidades de direitos humanos.

O Irã já executou 29 pessoas, todas homens, em conexão com os protestos. Organizações como a Anistia Internacional consideram injustos os julgamentos. Ativistas acusam as autoridades de usar os enforcamentos para intimidar a população no contexto da guerra com os Estados Unidos.

O governo iraniano, por sua vez, afirma agir contra instigadores de distúrbios fomentados do exterior. As autoridades acusam organizadores das manifestações de terrorismo e de ligação com governos estrangeiros.

A onda de protestos começou no fim de dezembro e se estendeu até o final de janeiro. O aumento do custo de vida e a crise econômica impulsionaram os atos: o rial perdeu quase 50% de seu valor em relação ao dólar ao longo de 2025 e atingiu uma mínima histórica.

Com a repressão, as manifestações passaram a contestar de forma mais ampla o regime teocrático que governa o país desde 1979. Testemunhas relataram disparos de armas automáticas contra pessoas desarmadas e prisões em massa. Grupos de direitos humanos também denunciaram espancamentos e violência sexual contra detidos.

Os balanços de vítimas divergem. Em janeiro, a HRANA informou ter confirmado 5.848 mortes, incluindo 209 integrantes das forças de segurança, e ao menos 41.283 detenções. O governo iraniano reconhece 3.117 mortes e atribui a maior parte delas à ação de pessoas que classifica como vândalos, afirmando que as vítimas eram agentes de segurança ou transeuntes.