O crescimento foi liderado pelos cursos a distância, cujo número de estudantes com deficiência saltou de 6.740 em 2014 para 44.963 em 2024, um aumento superior a seis vezes, enquanto as matrículas presenciais quase dobraram, de 26.637 para 50.609.

Mesmo com esse avanço, a participação dos estudantes com deficiência ainda representa menos de 1% do total de graduandos no país, subindo de 0,43% para 0,93% do total de matrículas.

O IBGE aponta que a taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência de 15 a 29 anos era de 12,2% em 2022, doze vezes maior que a dos não deficientes (1%). O maior índice foi registrado entre quem tem dificuldades associadas às funções mentais (40,4%) e entre quem possui mais de um tipo de deficiência (34%).

A frequência escolar também é inferior entre os jovens com deficiência: 92,6% das crianças de 6 a 14 anos e 79,5% dos adolescentes de 15 a 17 anos frequentam a escola, contra 98,4% e 85,4% respectivamente entre os sem deficiência.

A pesquisa do Censo Escolar de 2025 mostra que apenas 57% das escolas contam com banheiros acessíveis, 30% têm salas de recursos multifuncionais e 26,2% dispõem de profissional de apoio. As escolas públicas apresentam maior presença de profissionais de apoio (32,8%) e de salas de recursos (34,5%) que as privadas, que, por sua vez, têm mais banheiros acessíveis (64,4% contra 54,8%).

Luanda Botelho, pesquisadora do IBGE, destaca que, embora parte da desigualdade educacional reflita a maior concentração de pessoas com deficiência entre gerações mais velhas, os dados recentes sobre jovens revelam que a disparidade não se resume a questões geracionais.