Um levantamento da Ágora Comunicação e Public Affairs, que monitorou X, Instagram, Facebook, YouTube, Bluesky e Reddit, registrou 318 mil citações diárias ao STF nos 17 primeiros dias de setembro, contra 67 mil entre janeiro e agosto, indicando um aumento abrupto de interesse público.

O pico mais alto ocorreu na terça‑feira, 3 de setembro, quando a Corte realizou sessão extraordinária para iniciar a análise de um relatório da Polícia Federal sobre o relacionamento entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. A sessão foi interrompida por um pedido de vista, mas gerou 697 mil menções – dez vezes a média anual e 2,2 vezes o recorde anterior de 311 mil, registrado em 29 de abril, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF.

No dia seguinte, 9 de setembro, foram registradas 501 mil menções, o segundo maior volume. Na ocasião, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspendeu decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, gerando intenso debate online.

Apesar do crescimento das menções, a proporção de publicações negativas manteve‑se alta – 63% entre janeiro e agosto e 61% em setembro. Contudo, a terça‑feira viu um aumento da faixa positiva, que subiu de 6% para 11% e chegou a 13% entre 13h e 16h, indicando que parte do debate também assumiu tom favorável ao tribunal.

O movimento coincide com votos de ministros Luiz Fux, André Mendonça e Cármen Lúcia favoráveis à análise separada dos casos envolvendo Moraes e Mendonça, posicionamento celebrado por perfis alinhados à oposição. A pesquisa sugere que o público percebe o STF mais como um conjunto de indivíduos do que como um colegiado, reforçando a polarização em torno das decisões da Corte.