A pesquisa, que ouviu 2.338 profissionais em 26 estados e no Distrito Federal, também revelou que 46,4% dos entrevistados têm baixo grau de satisfação com suas atividades na UTI.

Segundo a Amib, os resultados indicam um quadro de vulnerabilidade significativa à síndrome de burnout entre os intensivistas, caracterizada por exaustão emocional, distanciamento afetivo e sensação de baixa realização pessoal.

Em nota, a Amib enfatizou que a saúde mental desses profissionais deve ser tratada como prioridade nas políticas públicas, exigindo mobilização de gestores, instituições e autoridades de saúde.

Na coletiva de imprensa, Estevam Rivello, diretor de Comunicação do CFM, destacou que o nível de estresse é maior no setor público, onde os médicos recebem remuneração inferior ao serviço suplementar e têm vínculos empregatícios mais rígidos.

Os números do estudo mostram que 79,7% dos médicos de UTI precisam de atenção e cuidado com a saúde emocional; 31,2% relataram esgotamento moderado, enquanto 48,5% apontaram alto nível de desgaste. Apenas 20,3% declararam baixos níveis de esgotamento.

Entre os intensivistas, 44,5% relataram alto nível de esgotamento emocional, 12,7% alto grau de despersonalização e 39,8% baixa satisfação com o desempenho profissional. Já entre os generalistas que atuam nas UTIs, os percentuais foram ainda maiores: 52,3% de esgotamento emocional, 20,1% de despersonalização e 50,7% de baixa satisfação.

A Amib atribui o quadro ao acúmulo de carga horária, à exposição constante a situações críticas, à precariedade de infraestrutura e à crescente demanda da população por cuidados intensivos, além do confronto diário com dor, sofrimento e morte que exige decisões rápidas e precisas.

O estudo também apontou que médicos com maior grau de especialização apresentam menores níveis de esgotamento e despersonalização, bem como maior sensação de realização pessoal, sugerindo que a formação avançada pode ser um fator de proteção contra o burnout.