A proposta, divulgada pelo jornal O Globo, prevê que credores ofereçam descontos elevados – entre 95% e 97% – para que o Estado adquira os créditos e, em alguns cenários, cancele-os imediatamente, eliminando a obrigação do consumidor.
Dados do Fundo Garantidor de Operações (FGO) mostraram que cerca de 30% das operações parceladas da última fase do Desenrola estão inadimplentes. Desde o seu lançamento, em maio, 5,54 milhões de dívidas foram renegociadas; 2,25 milhões resultaram em novos empréstimos, enquanto o restante foi quitado à vista após os descontos.
Entre as renegociações, 30,34% aparecem como inadimplentes neste mês, e do saldo ainda existente na carteira, R$ 1,25 bilhão de um total de R$ 3,3 bilhões (37,4%) deixou de ser pago.
O Ministério da Fazenda informou que nenhuma operação foi, até agora, coberta pelo FGO e que está verificando os registros, pois alguns débitos classificados como inadimplentes podem ter sido cancelados quando o consumidor encerrou a renegociação sem pagar a primeira parcela.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou ao portal Extra que pretende apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma iniciativa que reduza o estoque de dívidas sem gerar novos financiamentos para as famílias, usando um leilão entre credores para adquirir os débitos de baixo valor, contraídos entre dois e cinco anos atrás e considerados de difícil recuperação.
Em cenários analisados, a compra dos créditos com deságio de 95% a 97% poderia, na hipótese mais favorável, cortar pela metade tanto o volume de dívidas quanto o número de inadimplentes, segundo o jornal.
A operação teria impacto nas despesas primárias do governo e dependeria de espaço no orçamento. O governo ainda avalia se a medida pode ser implementada antes ou depois do primeiro turno das eleições de 2026, considerando as restrições da legislação eleitoral sobre a distribuição gratuita de benefícios.
A versão mais recente do Desenrola, que vigora de 5 de maio a 31 de agosto, renegociou R$ 28,37 bilhões em dívidas, reduzindo o valor efetivamente devido para R$ 5,71 bilhões após os descontos. O programa atende pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas vencidas entre 90 dias e dois anos, incluindo cheque especial, crédito pessoal sem garantia e cartão de crédito.
Na primeira edição, lançada em 2023, foram renegociados R$ 53,07 bilhões para cerca de 15 milhões de brasileiros, dos quais R$ 25,57 bilhões estavam vinculados a famílias com renda de até dois salários mínimos e contavam com a garantia do FGO.