Paulo Lopo, que liderou o Estrela da Amadora durante seis anos, declarou que nunca foi chamado a prestar depoimento à Polícia Judiciária, ao Ministério Público ou à Federação Portuguesa de Futebol sobre a polémica que envolve a arbitragem no futebol português.
O ex‑presidente afirmou que o próprio clube e ele próprio permanecem “completamente fora” da controvérsia, classificando‑a como uma “não‑polémica” e rejeitando a narrativa de que o Estrela teria acesso a informações internas para influenciar a nomeação de árbitros e evitar a descida de divisão.
Lopo negou categoricamente ter mantido reuniões com Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, com o objetivo de solicitar árbitros favoráveis, explicando que apenas duas reuniões ocorreram na presença de Duarte Gomes, antigo diretor técnico nacional de arbitragem, e que tais encontros fazem parte de um procedimento institucional normal.
Segundo Lopo, a sua relação com o Conselho de Arbitragem é “institucional”, semelhante à dos demais presidentes de clubes, e não há amizade pessoal nem trocas de favores entre ele e Gonçalves.
Sobre a venda da Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do Estrela da Amadora, Lopo detalhou que adquiriu a entidade por cerca de 70 mil euros e, após 11 meses de negociações, a vendeu por 40 milhões de euros a um grupo de investidores que inclui ex‑estrelas do futebol mundial.
Ele descreveu o processo como complexo, envolvendo dezenas de interessados, mas ressaltou que a organização administrativa e financeira do clube permitiu concluir a operação, garantindo a continuidade do projeto desportivo.
Lopo recordou que, sob a sua gestão, o Estrela subiu do Campeonato de Portugal para a Liga 2, mantendo‑se na segunda divisão por quatro temporadas consecutivas e projetando, nos próximos cinco anos, uma luta por vagas europeias, especialmente ao lado de clubes como o Famalicão.
Em relação ao Plano Especial de Revitalização (PER), Lopo explicou que o mecanismo foi aprovado por mais de 90 % dos credores, mas o Tribunal de Sintra o rejeitou por suposta interpretação equivocada; ele afirma que o PER não prevê perdão de 90 % da dívida total e que a decisão pode ser contestada em instância superior.
Por fim, o dirigente indicou que, após a venda da SAD, pretende dedicar‑se à vida familiar, mantendo‑se disponível para comentar o processo caso seja convocado em sede própria.