Salgado Zenha iniciou a discussão elogiando as normas de sustentabilidade da UEFA, que visam evitar a falência de clubes, mas alertou que nem todos os clubes estão sujeitos a essas regras e que, em Portugal, já se registaram casos recentes de equipas que desceram da primeira divisão para a insolvência.
O dirigente do Sporting sublinhou a necessidade de equilibrar as exigências de fair play desportivo com regras de sustentabilidade, afirmando que esse equilíbrio será crucial nos próximos dez anos para garantir que clubes pequenos e grandes continuem competitivos.
Miguel Ribeiro, que representa o Famalicão, destacou o "grande desafio" da sua equipa, cujo controlo maioritário pertence ao Quantum Pacific Group desde 2019, e afirmou que o clube está a crescer apesar das diferenças de recursos face a Benfica e Sporting.
Catarino, por sua vez, comparou a realidade dos grandes clubes portugueses com a dos "tubarões" das ligas europeias, lembrando que um clube da Premier League pode ter um orçamento duas vezes superior ao de um dos principais clubes de Portugal sem precisar de grandes investimentos adicionais.
O presidente do Famalicão recordou que o clube realizou cerca de 40 milhões de euros em vendas durante o verão, incluindo a transferência de Ibrahima Ba ao Sporting por 20 milhões de euros, e brincou que, se os jogadores não corresponderem às expectativas, o clube devolve o cheque ao comprador.
Salgado Zenha apresentou números que mostram que o Sporting tem mantido uma média superior a 100 milhões de euros em receitas de transferências ao longo dos últimos 15 anos, com um pico de vendas durante a pandemia de Covid‑19, e destacou ainda que o salário dos jogadores pesa nas contas de transferência.
O vice‑presidente do Sporting também explicou que as receitas do Estádio de Alvalade, antes modestamente em torno de 2 milhões de euros anuais, agora chegam a cerca de 30 milhões de euros, graças a obras de melhoria e ao desenvolvimento da área de hospitalidade, o que reduz a volatilidade das receitas ligadas ao desempenho desportivo.
Concluindo, os três dirigentes concordaram que, embora os clubes portugueses enfrentem desafios financeiros significativos frente a ligas mais ricas, a adoção de modelos de negócio sustentáveis, o reforço das receitas de estádio e a observância rigorosa das regras de fair play são essenciais para garantir a saúde a longo prazo do futebol em Portugal.