Em uma intervenção inédita, Sam Altman e Dario Amodei destacaram que governos e empresas precisam trabalhar juntos para criar normas globais capazes de conter cenários em que sistemas de IA se aprimorem autonomamente e ultrapassem o controle humano.

Ambos ressaltaram que, embora suas empresas sejam concorrentes na corrida por modelos avançados, a ameaça representada por uma IA descontrolada exige que “nenhum líder, nenhuma empresa e nenhuma nação pode lidar com isso sozinho”, segundo Amodei.

O secretário‑geral da ONU, António Guterres, abriu a sessão pedindo coordenação internacional para regular os chamados “modelos de IA de fronteira” e sugeriu que a própria organização sirva de plataforma para esse esforço.

Em contraste, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou os apelos por regulação internacional, rotulando‑os de “esquema globalista” e classificando os alertas sobre riscos existenciais como uma “farsa”.

A reunião do Conselho de Segurança ocorreu paralelamente à Assembleia‑Geral da ONU, onde a inteligência artificial dominou os discursos de chefes de Estado, e antecedeu o encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, que visa criar um canal formal de diálogo sobre IA.

OpenAI e Anthropic, cujos modelos estão entre os mais avançados do mundo, planejam abrir capital nos próximos meses, com avaliações que podem chegar a quase US$ 1 trilhão cada, reforçando a importância econômica da tecnologia.

O apelo dos CEOs segue a publicação de um ensaio de 3.800 palavras escrito por Amodei, que defende uma desaceleração no desenvolvimento dos sistemas mais avançados para melhor compreender seus riscos; o texto recebeu apoio de Altman, Elon Musk e foi citado por parlamentares americanos que buscam medidas de segurança para IA.

Clement Delangue, CEO da Hugging Face, também participou da sessão por vídeo, relatando que sua empresa foi alvo de um ataque coordenado por agentes de IA e alertando contra narrativas de medo que possam distorcer decisões políticas sobre a tecnologia.

Os líderes concluíram que a criação de padrões globais de evidência, salvaguardas e supervisão, bem como o compartilhamento rápido de informações sobre incidentes, são passos essenciais para evitar que a IA se torne uma ameaça fora do controle humano.