No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 chegou a 13,585%, registrando alta de 10 pontos‑base em relação ao ajuste de 13,485% da sessão anterior, enquanto a ponta longa da curva, para janeiro de 2035, subiu para 14,035%, 7 pontos‑base acima dos 13,962% anteriores; a taxa atingiu pico de 13,590% às 13h54.

A pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula com 47,7% das intenções de voto no segundo turno, frente a 47,4% do senador Flávio Bolsonaro, margem de erro de 1 ponto percentual, o que indica empate técnico, mas coloca o petista à frente numericamente em relação ao levantamento anterior (Lula 46,8% e Flávio 47,2%).

Analistas de mercado apontam que Lula ainda gera desconfiança, pois sua reeleição é vista como um obstáculo ao controle das contas públicas e da inflação; assim, notícias que favorecem o candidato opositor tendem a pressionar a queda do dólar e das taxas dos DI, enquanto qualquer fortalecimento de Lula gera viés de alta para esses indicadores.

Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries dispararam após o PMI de manufatura e serviços subir para 58,4 em setembro – o nível mais alto desde julho de 2021 – impulsionando o Treasury de dez anos a 5,11%, 14 pontos‑base acima, o que reverberou nos mercados globais e contribuiu para a alta dos DI no Brasil.

Apesar da elevação, a curva de juros brasileira ainda refletia expectativa de corte da taxa Selic, que permanece em 13,75%: o mercado precificava cerca de 60% de chance de redução de 25 pontos‑base no próximo Copom, em novembro, contra 40% de probabilidade de manutenção.

A analista Laís Costa, da Empiricus Research, destacou que “no título de cinco anos, a taxa está acima de 5%, o que é bastante impressionante”, explicando que o avanço dos prêmios no Brasil acompanha a pressão externa dos rendimentos dos Treasuries.

Profissionais citados pela Reuters afirmam que a eleição tornou‑se fator decisivo para a política monetária, pois a definição do vencedor reduz a incerteza e permite ao mercado assumir mais risco; Nilton David, diretor de Política Monetária do Banco Central, reforçou que o atual ciclo de cortes da Selic é de “calibração”, não de afrouxamento, e que a política deve ser suave em tempos de incerteza.