A resposta do Ministério da Justiça veio um dia depois de Trump criticar, na quarta-feira (16), a atuação brasileira contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em uma determinação sobre a política dos Estados Unidos de combate ao tráfico internacional de drogas. O documento encaminhado ao Congresso estadunidense defende que Brasília adote medidas “agressivas” contra as facções.

O presidente dos Estados Unidos afirmou que o Brasil precisa confrontar e derrotar os grupos antes que eles se espalhem e ampliem sua atuação. O texto classifica as facções brasileiras como organizações terroristas internacionais e atribui a elas uma ameaça à segurança mundial.

Na manifestação do Ministério da Justiça, o governo brasileiro sustentou que mantém ações contra as organizações criminosas e o narcotráfico. A pasta também ressaltou que Lula apresentou formalmente aos Estados Unidos uma proposta de cooperação na área, sem retorno da administração Trump até agora.

A determinação da Casa Branca trata do ano fiscal de 2027 e integra os documentos enviados ao Congresso dos Estados Unidos para definir recursos e prioridades no enfrentamento aos narcóticos. Trump escreveu que as facções teriam transformado o Brasil em um “hub para os fluxos globais de cocaína”.

O documento usa critérios previstos no Ato de Emergência Estrangeira de 1961, que considera fatores geográficos, comerciais e econômicos associados à produção, ao trânsito de drogas e à circulação de componentes químicos. Esses parâmetros podem alcançar países que adotam ações de combate ao tráfico quando seus territórios têm relevância nas rotas de substâncias ilícitas.

A diplomacia brasileira avaliou que as críticas têm caráter circunstancial e não criam, por si só, sanções econômicas ou comerciais automáticas contra o país na legislação dos Estados Unidos. A relação estadunidense reúne 23 países e inclui nomes como Afeganistão, Bolívia, China, Índia, México e Venezuela.

Durante um comício perto de Brasília, Lula também acusou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro de tramar contra o Brasil em parceria com o irmão Flávio Bolsonaro. A fala ocorreu em meio ao embate político provocado pelas acusações de Trump sobre o combate brasileiro às facções.