O pedido foi apresentado pela defesa de Henrique Vorcaro, que sustenta que a demora na análise de um pedido de soltura configura excesso de prazo. Os advogados afirmam que a paralisação do caso Master no STF prejudica o cliente, diante da indefinição sobre quando o impasse será resolvido.

Henrique Vorcaro foi preso em maio na 6ª fase da Operação Compliance Zero, que apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias que teriam sido praticadas pelo ex-banqueiro. A prisão preventiva foi ordenada pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, e confirmada pela Segunda Turma do STF em junho.

Ele é apontado pelos investigadores como integrante e um dos líderes de uma milícia pessoal mantida pelo ex-banqueiro. Segundo a Polícia Federal, tratam-se dos grupos chamados por Vorcaro de “A Turma” e “Os Meninos”, que seriam responsáveis por ações de intimidação de desafetos do ex-banqueiro com ameaças feitas de forma virtual e pessoal, além da obtenção ilegal de informações sigilosas para o ex-banqueiro.

A defesa também argumenta que Henrique não possui foro privilegiado e que no processo em que está envolvido não figuram pessoas com prerrogativa de função no Supremo. Os advogados pedem a revogação da preventiva com base nesses pontos e na paralisação da tramitação.

A tramitação dos processos ligados à Compliance Zero no STF foi paralisada por ordem do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, na esteira da crise institucional provocada pela repercussão do caso. Fachin é relator de um pedido de Mendonça para que o também ministro Alexandre de Moraes seja investigado, depois de a Polícia Federal produzir relatório apontando mensagens que teriam sido enviadas a ele por Vorcaro.

O presidente do Supremo decidiu que as ações do caso Master somente devem voltar a andar depois que o plenário decida se autoriza ou não uma investigação contra Moraes, bem como analisa a regularidade da relatoria de Mendonça. Em sessão na última terça (15) para discutir o assunto, porém, o plenário não conseguiu analisar o mérito da questão, não havendo previsão de quando isso deve ocorrer.