Dividido em 18 projetos e 20 teses, o documento tem cerca de 200 páginas e está disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As propostas abrangem mudanças institucionais, expansão do empreendedorismo, inclusão escolar, saúde digital, segurança pública e metas para a produção agrícola e a transição energética.

Na educação, Cury defende escolas com debates, artes, esportes e espaços de convivência. Para o ensino médio, prevê a combinação de formação acadêmica, humana e profissionalizante. As universidades seriam reestruturadas para atuar como polos de inovação e geração de patentes.

O eixo Brasil Neuroinclusivo propõe uma política de Estado permanente para acolher pessoas com autismo, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), dislexia e altas habilidades. O plano busca aproximar escolas e famílias e prevê um Plano de Inclusão em cada unidade escolar, além de um Mapa Nacional da Neurodiversidade.

A iniciativa Mulheres Vivas reúne medidas de combate ao feminicídio e proteção às mulheres, como botões de alerta e monitoramento de agressores. Vítimas de violência teriam prioridade em programas de qualificação, empreendedorismo e empregabilidade. O documento também defende o fim de taxas abusivas de juros no crédito feminino e a indicação de mulheres ao STF.

Na economia, o candidato propõe criar o Ministério do Empreendedorismo e da Economia Distribuída, com o objetivo de descentralizar a produção em milhões de microempresas. O programa prevê 10 mil clubes de empreendedorismo, uma rede de escolas voltadas à atividade e o Banco do Empreendedor, que ofereceria crédito de até R$ 20 mil com juros reduzidos e incentivos a beneficiários do Bolsa Família.

Para as favelas, a meta é regularizar juridicamente até 5 milhões de moradias em dez anos, sem expulsar os atuais ocupantes. A medida estaria associada ao projeto Comunidade 4.0, destinado a melhorias urbanas. O plano também pretende financiar 2 milhões de pequenos empreendedores locais por meio do Fundo Nacional do Empreendedor, com empréstimos de R$ 2 mil a R$ 20 mil, sem exigir o imóvel familiar como garantia.

O projeto Brasil Oásis busca transformar o semiárido em uma fronteira agrícola estratégica, com segurança hídrica e produção para exportação. A proposta prevê tecnologias inspiradas em Israel, como irrigação de precisão, e estabelece as metas de duplicar a produção de alimentos e multiplicar por dez as exportações de frutas em uma década. Também pretende fortalecer 3,9 milhões de estabelecimentos de agricultura familiar.

Nas rodovias, o Brasil Empreendedor nas Estradas (BEE) prevê polos de comércio a cada 10 a 15 quilômetros, implantados por parcerias público-privadas. Os espaços teriam energia solar, áreas de descanso, sanitários e cabines antiestresse, com a finalidade de estimular o turismo, a produção local e a agricultura familiar.

A proposta Agroindústria Brasil prevê estimular o desenvolvimento de 10 mil agroindústrias no interior e a criação de 100 usinas de etanol de milho, com foco regional no Nordeste. O programa também propõe aproveitar os subprodutos proteicos da fabricação de etanol na criação de animais e na industrialização de proteína animal.

No cooperativismo, a meta é dobrar o número de cooperativas e ampliar o total de cooperados de 27 milhões para 54 milhões. A expansão alcançaria setores como bioenergia, tecnologia, saúde, habitação e educação, sob articulação de uma nova Autoridade Nacional do Cooperativismo (ANCOOP). Já o Brasil Exportador prevê zonas francas de exportação em cinco estados, coordenadas pela Zona Nacional de Exportação (Zone), com foco em inteligência artificial, robótica, semicondutores, energia limpa e drones.

A diplomacia econômica proposta por Cury inclui reestruturar as embaixadas brasileiras em “estruturas 4.0”, com treinamento em inteligência comercial. O documento prevê deslocar parte do efetivo diplomático dos Estados Unidos e da Europa para reforçar a presença em mercados como Oriente Médio, Índia, China e outros países asiáticos.

Ainda na agenda internacional, o candidato sugere um Plano de Combate Mundial da Fome, sustentado por um fundo financiado pelo comércio global e pela indústria de armas. A estimativa apresentada no programa é mobilizar entre US$ 177 bilhões e US$ 342 bilhões por ano para erradicar a fome.

Na saúde, o Tele Saúde Brasil pretende construir o que o programa descreve como a maior plataforma pública de medicina digital do mundo, para desafogar o Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta estipula atendimento em até 30 minutos para casos compatíveis com essa modalidade. A iniciativa Sociedade Está Abraçando (SEA) seria voltada à prevenção e ao rastreamento contínuo de diversos tipos de câncer, com expansão de unidades móveis.

O plano Energias Renováveis do Brasil estabelece a meta de alcançar 90% de matriz energética limpa até 2040, com uso de inteligência artificial e incentivo ao hidrogênio verde. O projeto Petra BR, por sua vez, propõe mapear minerais críticos e terras raras e promover sua industrialização e seu refino no país.

Na área ambiental, o Floresta Viva BR prevê inteligência artificial e drones no combate a incêndios. O Programa Amazônia Viva reúne obras de saneamento, infraestrutura e conectividade, enquanto o Banco Empreendedor Amazônico apoiaria a bioeconomia, a pesca e o turismo ecológico. O documento também prevê remunerar populações locais como guardiãs da floresta.

Para a segurança pública, o Segurança 4.0 propõe unificar as ações das polícias estaduais e federal e criar a Força de Combate Municipal (Foco), com atuação em um sistema integrado de dados. As prioridades incluem enfrentar o crime organizado, proteger escolas com botões de emergência, monitorar fronteiras de forma inteligente e valorizar os agentes de segurança.