O barril do petróleo voltou à região dos US$ 103 nesta quinta-feira, depois de se aproximar de US$ 110 nos últimos dias. O movimento pesava sobre as ações da Petrobras, que recuavam 2,79% e apareciam entre as principais pressões negativas sobre o índice. Na direção contrária, Vale avançava cerca de 0,60% e Itaú subia 0,52%, recuperando parte das perdas recentes, enquanto Bradesco recuava 0,16%. Apesar de prejudicar diretamente as petroleiras, a queda da commodity trazia algum alívio para o restante do mercado, ao reduzir a pressão sobre as expectativas de inflação e, consequentemente, sobre os juros. “O barril do petróleo está cotado agora a US$ 103 aproximadamente, e esse alívio no petróleo favorece a Bolsa como um todo”, afirmou Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos.
O pregão desta quinta-feira foi o primeiro depois de decisões em sentidos opostos dos bancos centrais brasileiro e americano. O Federal Reserve elevou sua taxa em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano, enquanto o Banco Central brasileiro reduziu a Selic na mesma magnitude, para 13,75% ao ano. A diferença é relevante para os ativos brasileiros porque reduz o diferencial entre as taxas dos dois países, um dos fatores que influenciam a entrada de capital estrangeiro e o comportamento do câmbio. “Quanto mais aumenta juros nos Estados Unidos, menos espaço a gente tem para cortar aqui no Brasil, pensando no diferencial de taxa que é benéfico para o nosso câmbio”, afirmou Mota.
Nos Estados Unidos, a atenção também se voltou para o que pode acontecer daqui para frente. O Fed elevou suas projeções de inflação para 2026 e sinalizou a possibilidade de outro aumento dos juros ainda neste ano. Segundo Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, a projeção de inflação do Fed para este ano passou de 3,6% em junho para 3,7%. Em março, a estimativa era de 2,7%. “Vemos um comitê cada vez mais preocupado com a inflação — a ponto de projetar mais um aumento de juros para 2026”, afirmou.
No ambiente doméstico, novas pesquisas eleitorais divulgadas nesta quinta-feira também entraram no radar dos investidores. O levantamento AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma eventual disputa de segundo turno, com 47,2% contra 46,8%. Os dois, porém, estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de um ponto percentual. O PoderData/Aya também apontou vantagem numérica de Flávio, com 46%, ante 44% de Lula, novamente dentro da margem de erro. Já a pesquisa Gerp mostrou Flávio com 50% e Lula com 43%; nesse levantamento, a diferença supera a margem de erro de dois pontos percentuais.