A Fundação Santillana, em parceria com a Organização de Estados Ibero‑americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OIE), divulgou os vencedores do Prêmio Escolas Sustentáveis, concurso aberto a escolas públicas e privadas de todo o país, que premia projetos de baixo custo e alto impacto ambiental.

Na categoria que abrange da educação infantil aos primeiros anos do ensino fundamental, a Casa da Infância, escola privada de Salvador (BA), levou o primeiro lugar com o programa “Infância, Sustentabilidade e Cidades Educadoras”. O projeto articula coleta de resíduos, compostagem, hortas escolares, reaproveitamento de materiais e mapeamento da biodiversidade, envolvendo quatro escolas brasileiras e uma colombiana em atividades presenciais e virtuais, além de trocas de cartas em português, espanhol e inglês.

O intercâmbio já promoveu imersões na Caatinga, na Mata Atlântica e em comunidades tradicionais, além de participação em seminários internacionais. Segundo a coordenadora Marília, cerca de 2 mil pessoas – estudantes, educadores e membros das comunidades – foram impactadas pelas ações de educação ambiental e consumo responsável.

Na categoria que avalia projetos dos anos finais do ensino fundamental, do ensino médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), o destaque foi o EcoLuz Trap, desenvolvido por estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), Campus Marabá Industrial. A armadilha luminosa, feita com latas de leite, fios, componentes eletrônicos e um pequeno ventilador, atrai mosquitos vetores de doenças sem o uso de inseticidas.

O professor Ríguel Contente explicou que o projeto nasceu de um diagnóstico realizado em salas de aula, que identificou o incômodo dos mosquitos nas residências periféricas de Marabá. Os alunos testaram diferentes cores de LED, registraram as espécies capturadas e analisaram os dados com ferramentas estatísticas, integrando conhecimentos de zoologia, ciência de dados e sustentabilidade.

A iniciativa já beneficiou aproximadamente 3,5 mil pessoas, começando pela própria escola, onde as armadilhas foram instaladas em áreas comuns. Os estudantes apresentaram os resultados em congressos e feiras, demonstrando a viabilidade de replicar a tecnologia em outras comunidades da Amazônia.

Ao todo, dez projetos foram finalistas nesta edição. Além do prêmio em dinheiro, as escolas vencedoras avançam para a fase internacional da competição, que acontecerá na Cidade do México em 2 de dezembro, permitindo a troca de boas práticas entre instituições de diferentes países.

Luciano Monteiro, diretor executivo da Fundação Santillana no Brasil, ressaltou que o prêmio tem a missão de valorizar iniciativas escolares que promovem a sustentabilidade, criando um repositório público de soluções que podem ser adaptadas por outras escolas.