A pesquisa, que considerou uma população de 9,7 milhões de habitantes – número superior ao registro oficial de 9,4 milhões – apontou que aproximadamente 6,4 milhões de cubanos vivem em condição de pobreza, segundo os dados divulgados ao AFP.
O novo percentual substitui uma estimativa feita em meados de 2025, que situava a taxa de pobreza em 45%. O aumento reflete a escalada dos preços da cesta básica de alimentos desde o final do ano passado; o economista cubano Omar Everleny Pérez calculou que o custo de uma cesta representativa para uma pessoa chega a 191 reais, enquanto o salário médio mensal ronda 7.000 pesos, ou cerca de 51,5 reais.
Mayra Espina, socióloga e coordenadora da pesquisa, alertou que o número de 66% pode variar para mais ou para menos, mas enfatizou que o estudo evidencia a expansão do problema da pobreza na ilha.
A deterioração ocorre num contexto de crise econômica profunda, intensificada pelas sanções impostas pelos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump a partir de janeiro deste ano. As medidas, que visam principalmente as importações de petróleo, agravaram gargalos na infraestrutura energética cubana, gerando apagões frequentes e contribuindo para a saída de empresas estrangeiras e a queda do turismo.
Embora o governo cubano não publique estatísticas oficiais sobre pobreza, a situação tem se tornado cada vez mais visível nas ruas, pressionando os programas de assistência social que historicamente sustentavam a população com saúde gratuita e racionamento de alimentos.