A cúpula de segurança pública, reunindo autoridades do governo federal, do estado do Rio de Janeiro e da prefeitura da capital, ocorreu no Complexo da Polícia Rodoviária Federal, na interseção da Avenida Brasil com a Rodovia Presidente Dutra, e contou com a presença do presidente Lula, do governador interino Ricardo Couto e do prefeito Eduardo Cavaliere.
Durante seu discurso, Lula contestou a afirmação de Trump de que o Brasil não consegue enfrentar as facções do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), classificando a acusação de “terrorismo de Estado” e acusando o ex‑presidente dos EUA de usar o tema para “briga pelo poder”.
A crítica de Trump vem após o relatório anual enviado ao Congresso dos EUA em 15 de setembro, no qual o presidente americano denunciou a suposta falha do governo brasileiro no combate às organizações criminosas. Em maio, a administração Trump já havia designado o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras.
No Rio, foram assinados três convênios que, segundo Lula, transformarão a capital em um laboratório de segurança nacional: (i) proteção integrada de corredores logísticos, com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o governo estadual, focada no combate à mobilidade de criminosos e ao roubo de cargas nas principais vias como Avenida Brasil, Linha Vermelha, Linha Amarela, porto e aeroporto; (ii) política estadual de reocupação territorial, destinada a reduzir o controle armado e econômico das facções e a reforçar a presença estatal em áreas dominadas pelo crime; (iii) capacitação da Força Municipal, que cria turmas de elite da Guarda Municipal do Rio em parceria com a prefeitura, a Secretaria Nacional de Segurança Pública e a Polícia Rodoviária Federal. Os dois primeiros acordos têm vigência de 60 meses; o da Força Municipal, firmado em agosto de 2025, vale por três anos.
O governador interino Ricardo Couto destacou que a ação conjunta já resultou em maiores apreensões de drogas e reforçou a necessidade de soberania nacional no combate ao crime. O prefeito Cavaliere explicou que a integração inclui compartilhamento de inteligência e monitoramento por vídeo nas vias estratégicas da região metropolitana.
A iniciativa ocorre em um cenário político marcado pela condenação, em março, do ex‑presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão pelo STF, por crimes que incluíam a ciência de um plano para assassinar Lula e o vice‑presidente Geraldo Alckmin. Lula afirmou que, se o modelo de segurança funcionar no Rio, poderá ser replicado em todo o país.
Ao final, Lula ressaltou a necessidade de reforçar a vigilância nas áreas da margem equatorial, no norte do Brasil, e no pré‑sal do Sudeste, regiões onde há exploração de petróleo, indicando que a segurança das áreas estratégicas de energia também faz parte da agenda.