A marcha, organizada pelo governo, contou com participantes em uniformes de combate, carregando bandeiras, enquanto a mídia estatal incentivava a adesão ao programa, afirmando que o treinamento com fuzis de assalto começaria em breve.
O chefe da Guarda em Teerã, general Hassan Hassanzadeh, disse à emissora estatal que mais de 600 mil pessoas já se registraram e que a expectativa é que mais de um milhão recebam treinamento; a própria emissora estimou que mais de 300 mil manifestantes estavam nas ruas na manhã da sexta‑feira.
O novo chefe da Basij, Hossein Taeb, declarou que os voluntários estarão preparados para uma “defesa em larga escala” e que atos semelhantes ocorrerão em outras cidades; o presidente Masoud Pezeshkian, comandantes militares e outras autoridades de alto escalão acompanharam a marcha.
Alguns participantes pisotearam bandeiras dos Estados Unidos e de Israel e entoaram gritos de “Morte à América” e “Morte a Israel”. Marzieh Afaghi, de 24 anos, disse ao canal estatal que não tem medo das ameaças de Donald Trump e que nenhum invasor jamais permanecerá no Irã.
A demonstração também serviu de vitrine para equipamentos militares: baterias antiaéreas foram apresentadas, drones amplamente usados contra navios no Estreito de Ormuz foram exibidos, e mulheres da Guarda, de véus pretos, posicionaram‑se ao lado de metralhadoras montadas em caminhões.
A mobilização ocorre após meses de conflito desencadeado pelos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã em fevereiro, bem como sob um bloqueio naval americano aos portos iranianos e novas sanções que agravam a já frágil economia do país.
Em maio, autoridades afirmaram que mais de 30 milhões de iranianos – quase um terço da população – haviam se voluntariado, por formulário online ou encontros públicos, para sacrificar suas vidas pela teocracia; a Associated Press não conseguiu confirmar esse número de forma independente.