A especialista Juliana Rosa, ao participar da edição do Jornal da Band, destacou que o reajuste do programa de transferência de renda, essencial para a redução da pobreza histórica no país, agora representa um novo desafio para o equilíbrio das contas públicas.
Segundo a análise de Rosa, o crescimento acelerado da dívida pública exige cortes em outras áreas do orçamento federal, pois o custo adicional de R$ 5 bilhões neste ano já pressiona as finanças do governo.
Para o próximo exercício, as projeções apontam um impacto de R$ 23,2 bilhões, valor que ultrapassa a meta fiscal que permite um déficit de até R$ 24,1 bilhões. Sem considerar o reajuste, as contas já indicam um saldo negativo de R$ 49 bilhões, o que evidencia a complexidade do cenário fiscal.
Especialistas sugerem que o montante poderia ser compensado por meio de ajustes na previdência, embora não haja consenso sobre a viabilidade política dessas reformas.
A professora Laura Muller Machado, do Insper, alertou que o desenho atual do Bolsa Família pode incentivar a permanência dos beneficiários na informalidade. "Não é que os beneficiários não queiram trabalhar; eles são estimulados a permanecer informais pelo modelo do programa", afirmou, defendendo correções estruturais que garantam apoio temporário ao trabalhador que migra para o emprego formal.
O debate sobre o reajuste do Bolsa Família se insere num contexto mais amplo de necessidade de reformas estruturais nas contas públicas, com o governo buscando equilibrar a proteção social e a sustentabilidade fiscal.