Na manhã de 15 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o benefício Bolsa Família terá um aumento de 15%, elevando o valor pago às famílias em situação de vulnerabilidade. A medida foi comunicada a menos de 15 dias da eleição presidencial, que está marcada para o início de outubro.

No mesmo dia, o governo informou que o Sistema Único de Saúde (SUS) passará a oferecer gratuitamente um medicamento para perda de peso, descrito na imprensa como uma "caneta emagrecedora". A iniciativa ainda não tem data de implementação definida, mas foi apresentada como parte de um conjunto de ações sociais de última hora.

Além disso, o ministro da Fazenda, que assumiu a pasta após Fernando Haddad, revelou a criação de um novo programa de renegociação de dívidas para cidadãos e microempresas. O anúncio foi feito em conjunto com o aumento do Bolsa Família, reforçando a estratégia de ampliar o apoio econômico ao eleitorado mais vulnerável.

Analistas políticos apontam que essas ações chegam em um momento em que as pesquisas de intenção de voto colocam o candidato Lula e o senador Flávio Bolsonaro em empate técnico, tanto para o primeiro quanto para o segundo turno. Segundo o comentarista Eduardo Oinegue, do Jornal da Band, a proximidade da data eleitoral transforma a estratégia de campanha em "luta pela sobrevivência".

Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro também recorreu a aumentos de programas sociais – elevando o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, ampliando o auxílio‑gás e criando benefícios para caminhoneiros e taxistas – o que gerou acusações de uso eleitoral de recursos públicos. O Partido dos Trabalhadores (PT) chegou a solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) investigação sobre a prática, alegando que se tratava de "oportunismo eleitoral".

A nova rodada de anúncios do governo Lula segue a mesma lógica, embora o próprio Executivo evite rotular as medidas como eleitoreiras. O timing das iniciativas, segundo especialistas, indica uma tentativa de influenciar a decisão dos eleitores nos últimos dias de campanha, quando o calendário eleitoral deixa pouco espaço para ajustes de estratégia.