Em apresentação na 6ª edição do Astrobion, evento de astrobiologia organizado pelo Observatório Nacional no Rio de Janeiro, Silva revelou que, a partir de análise de mais de 6 mil exoplanetas catalogados pela NASA, oito deles se destacam por terem raio, densidade e localização na chamada zona habitável semelhantes à Terra.

A seleção foi feita considerando parâmetros como raio, densidade e distância orbital em relação à estrela hospedeira, além de estimativas de pressão e temperatura superficiais que sugerem atmosferas capazes de sustentar água líquida.

Entre os oito, o exoplaneta GJ 1002b foi apontado como o mais parecido com a Terra, com 98% de similaridade em características físicas. Descoberto em 2022, ele orbita uma anã vermelha a cerca de 16 anos‑luz de distância e completa uma volta em torno da estrela a cada 10 dias.

Silva conduziu a pesquisa sob a orientação do professor Marcelo Borges Fernandes, também do Observatório Nacional, e utilizou o banco de dados da NASA para cruzar informações de raio, densidade e temperatura de superfície, buscando identificar mundos que possam ter água em estado líquido.

O estudo reforça a crescente atenção da comunidade científica aos exoplanetas como alvos prioritários na busca por bioassinaturas, sinais químicos que, na Terra, são produzidos por processos biológicos. Embora a detecção de moléculas como metano ou dióxido de carbono ainda não seja prova definitiva de vida, a combinação de múltiplas linhas de evidência – como repetição de moléculas, quiralidade predominante e isotopologia – é considerada essencial para avançar nas hipóteses de habitabilidade.

A descoberta dos oito candidatos destaca a importância de missões futuras, como o telescópio James Webb, que pode analisar a composição atmosférica desses mundos durante trânsitos estelares, e missões de exploração dentro do Sistema Solar, como a Europa Clipper (2023‑2030) e a Dragonfly (prevista para 2028), que buscarão sinais de vida em ambientes gelados e ricos em compostos orgânicos.