O anúncio, feito durante uma coletiva de imprensa, foi recebido com comemoração tanto pelo governo dinamarquês quanto pelo da Groenlândia. A primeira‑ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, descreveu o pacto como "uma perspectiva de bom acordo para a Groenlândia, o reino da Dinamarca e os Estados Unidos", acrescentando que seria "bom para a OTAN e para a Europa".

Jens‑Frederik Nielsen, chefe de governo da Groenlândia, afirmou que o acordo "fortalece" a segurança do território, que tem cerca de 57 mil habitantes e é administrado por Copenhague.

Segundo Trump, a partir de agora nenhum adversário dos Estados Unidos poderá estabelecer bases, presença militar ou investimentos sensíveis na Groenlândia sem aprovação expressa por escrito dos EUA, e Washington iniciará imediatamente a construção de uma presença militar significativa na ilha.

O presidente também lembrou que, desde a Primeira Guerra Mundial, líderes americanos reconhecem a importância estratégica da Groenlândia, mas nenhum conseguiu concretizar um controle permanente até agora. Ele qualificou o acordo como "de vida infinita" e garantiu que não haverá custo para os Estados Unidos.

O acordo será formalizado na próxima semana, durante a Assembleia‑Geral das Nações Unidas, conforme informado pelos representantes dinamarqueses e groenlandeses.

A medida chega após um acordo vago firmado em janeiro, em Davos, entre Trump e o secretário‑geral da OTAN, Mark Rutte. Embora os termos não tenham sido divulgados, a iniciativa parece integrar a estratégia americana de reforçar sua presença no Ártico.

Um tratado de defesa entre os EUA e a Dinamarca, assinado em 1951 e atualizado em 2004, já permite que Washington aumente o envio de tropas e instalações militares na Groenlândia, desde que notifique previamente a Dinamarca e o governo local. Atualmente, os EUA operam a base aérea de Pituffik, no norte da ilha, e teriam interesse em abrir três novas bases no sul.

A reação da OTAN foi de preocupação, já que a Dinamarca é membro da aliança. A organização lançou recentemente uma missão para reforçar a segurança no Ártico, numa aparente tentativa de equilibrar a nova iniciativa americana.