Em discurso proferido nesta terça‑feira, diante de delegados de mais de 190 países, Lula destacou que a democracia global está sob ameaça e acusou potências estrangeiras de tentarem influenciar processos eleitorais, sem mencionar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O mandatário brasileiro iniciou a fala com críticas ao Conselho de Segurança da ONU, afirmando que sua credibilidade está “nunca tão baixa” e que sua capacidade de proteger os vulneráveis é “nunca tão pequena”, denunciando o “imobilismo” de um sistema que, segundo ele, não cumpre seu papel de garantir a segurança internacional.

Lula recordou que, já na primeira sessão da Assembleia, em 1946, o Brasil alertou sobre o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto, definindo‑o como um “vício” que confere às grandes potências o privilégio da insensatez.

O presidente também abordou a crise da democracia, afirmando que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e que a região latino‑americana deve buscar parceiros com agendas positivas, superando diferenças ideológicas para promover desenvolvimento e restaurar a vontade popular.

Sobre recursos estratégicos, Lula ressaltou que o país possui minerais críticos e terras raras essenciais à transição energética global, e que sua exploração deve gerar contrapartida em tecnologia e valor para o território brasileiro.

Na sequência, o líder brasileiro enviou um recado ao presidente dos Estados Unidos, denunciando a necessidade de cooperação no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro, ao mesmo tempo em que rejeitou a ideia de “porta‑aviões” patrulhando as águas brasileiras.

Encerrando o discurso, Lula reiterou o compromisso de sua gestão com o combate à corrupção, lembrando a frase de campanha de que “ninguém está acima da lei” e prometendo que a luta contra o crime organizado e a corrupção continuará “implacável, doa a quem doer”.

A fala de Lula ocorre a 12 dias da eleição presidencial no Brasil, período em que o governo tem defendido a aprovação da Lei Antifacção, medida que visa coibir a prática de fraudes eleitorais.