Nas últimas semanas, líderes e autoridades de segurança europeus elevaram o tom sobre o que descrevem como guerra híbrida. A inteligência de defesa da Dinamarca avaliou que as ameaças russas contra países da Otan podem crescer e ter consequências mais graves para os alvos. O Kremlin nega participação nas ações apontadas por governos ocidentais.
Entre os episódios citados está um drone com explosivos que, segundo investigadores alemães, agentes russos teriam enviado durante o verão ao aeroporto de Leipzig/Halle. Autoridades disseram que uma explosão poderia ter causado danos significativos e colocado vidas em risco. Outro drone atingiu um trem de passageiros no oeste da Ucrânia, perto da fronteira polonesa, durante a saída de visitantes estrangeiros de uma conferência em Kiev.
Governos também mencionam interferência em sistemas de navegação, ataques a redes digitais e infraestrutura, vigilância de bases e ações para interromper o tráfego aéreo. Especialistas afirmam que essas operações procuram ficar abaixo do limiar que provocaria uma resposta militar convencional. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, por sua vez, acusa o Ocidente de travar uma guerra híbrida contra Moscou por meio de sanções e outras medidas.
Autoridades ocidentais dizem não ver sinais de que a Rússia esteja se preparando para uma guerra convencional contra a Otan. A avaliação apresentada por elas é que Moscou, pressionada pela guerra na Ucrânia, tenta enfraquecer o apoio europeu a Kiev por meio de ações de menor custo. Essa interpretação é contestada pelo Kremlin.
A resposta europeia permanece em discussão. Países já recorreram a sanções, congelamento de ativos, expulsão de diplomatas e exposição pública de operações atribuídas à Rússia. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, defende aplicação mais rigorosa de medidas e maior proteção contra desinformação e recrutamento.
Alguns especialistas propõem que a Otan crie uma resposta conjunta específica para ataques híbridos, mas a ideia ainda está em fase inicial. Muitos governos consideram que manter o apoio militar à Ucrânia também funciona como dissuasão. A Polônia, por exemplo, prometeu enviar interceptadores Patriot adicionais a Kiev após o ataque ao trem perto de sua fronteira.
Líderes europeus tentam combinar preparação com contenção. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que as ações russas levariam a aliança a fazer mais pela Ucrânia; Emmanuel Macron pediu que a Europa evite uma reação exagerada. O debate central é como elevar o custo de operações atribuídas a Moscou sem escalar o confronto.