A falta de responsabilização das plataformas digitais aparece como a principal ameaça à circulação de boas informações, citada por 78% dos entrevistados. Em seguida estão a desinformação, com 73%, a polarização, com 69%, e o domínio de algumas plataformas de redes sociais, com 64%.
As chamadas “bolhas de filtro” ou “câmaras de eco” também estão entre as preocupações, apontadas por 53% dos pesquisadores. Esses termos descrevem situações em que o usuário recebe apenas conteúdos que corroboram seu ponto de vista.
A inteligência artificial generativa é considerada uma ameaça ao ambiente informacional por 47% dos especialistas. A preocupação está ligada ao uso crescente de resumos gerados por IA para obter respostas rápidas, o que pode reduzir o acesso a sites de notícias e limitar a variedade de pontos de vista com os quais as pessoas entram em contato.
Uma pesquisa do Pew Research Center, organização norte-americana, mostra o alcance desse hábito: no início de 2026, 60% dos adultos nos Estados Unidos afirmaram que liam os resumos gerados por IA que passaram a aparecer no topo da maioria dos resultados de pesquisas.
O relatório do painel também registra dificuldades dos especialistas para obter, em seus países, informações importantes para suas pesquisas, devido às restrições de acesso a grande parte dos dados.
A pressão de governos e empresas sobre investigações na área de informação também cresceu. Entre 2025 e 2026, a proporção de relatos de pressão para alinhar pesquisas à agenda dos governos passou de 21% para 33%. No mesmo período, os relatos de censura governamental subiram de 11% para 23%.