Durante a apresentação de ações integradas de segurança pública no Rio de Janeiro, Lula afirmou que os ataques de 8 de janeiro de 2023 foram a verdadeira expressão de terrorismo no país, e não as atividades de grupos como o Comando Vermelho (CV) ou o Primeiro Comando da Capital (PCC). O presidente acusou o ex‑presidente Jair Bolsonaro de tentar um golpe naquele dia, definindo-o como "terrorismo de Estado" que visava matar ele, o candidato à vice‑presidência Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

Em 16 de junho, o ex‑presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou ao Congresso um documento que apontava o Brasil como falho no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas, citando especificamente o CV e o PCC. O texto alegava que essas organizações transformaram o país em um dos principais centros de trânsito global de cocaína e as rotulava como ameaça à paz e à segurança mundial.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) respondeu ao documento americano, rejeitando as alegações de falhas ou omissões no enfrentamento ao crime transnacional. Em nota, o governo destacou a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que endurece as penas para líderes de facções e cria mecanismos para desarticular suas operações, argumentando que os EUA não levaram em conta esses avanços.

A controvérsia surge num momento em que Lula busca a reeleição e enfrenta críticas sobre a eficácia das políticas de segurança. Enquanto a direita brasileira e alguns atores internacionais defendem a classificação das facções como grupos terroristas, o governo federal sustenta que a estratégia legislativa e operacional já adotada é suficiente para combater o crime organizado, sem necessidade de mudar a tipificação jurídica.