A sequência de movimentações começou com o pedido de Mendonça à Procuradoria‑Geral da República para que se manifestasse sobre as conversas enviadas por Vorcaro a Moraes, seguido da decisão de tornar públicas as mensagens. A medida provocou a reação imediata de Moraes, que no inquérito das fake news solicitou a abertura de investigação contra Mendonça por suposta improbidade, alegando que o colega teria direcionado investigações e protegido aliados.

Um levantamento da CNN identificou 44 despachos ou ofícios relacionados ao caso entre 1º e 15 de setembro. Desses, 12 foram emitidos por Edson Fachin, presidente do STF, e nove por André Mendonça. Alexandre de Moraes registrou oito movimentações, Flávio Dino seis, Gilmar Mendes cinco, Cristiano Zanin três e Luiz Fux um.

Fachin, inicialmente discreto, passou a assumir um papel central ao solicitar manifestações e esclarecimentos aos ministros envolvidos. Após a decisão de Mendonça de afastar preventivamente o diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e a subsequente reversão feita por Flávio Dino, Fachin retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e Mendonça do comando do processo que analisava as mensagens com Vorcaro. Em seguida, marcou para 15 de setembro o julgamento que deveria decidir se as conversas justificavam investigação contra Moraes, e para 23 de setembro a análise da conduta de Mendonça.

A disputa se intensificou quando surgiram pedidos de acesso ao celular de Daniel Vorcaro. Cristiano Zanin, Moraes e Gilmar Mendes solicitaram os dados; Mendonça informou que o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal e que uma cópia dos dados permanecia lacrada em seu gabinete. Zanin chegou a dirigir o pedido diretamente à PF, e o material foi entregue um dia antes da sessão de julgamento.

No dia do julgamento, Moraes tentou agrupar as petições que o envolviam com as de Mendonça para que fossem analisadas conjuntamente, mas Fachin rejeitou o pedido. Flávio Dino, em questão de ordem, pediu que os casos fossem julgados em conjunto e que Fachin fosse retirado da relatoria; o pedido não foi aceito e a possível abertura de investigação contra Moraes ficou sem decisão, com o julgamento adiado por até 90 dias após Dino solicitar vista.

Outros episódios paralelos também foram registrados: Dino retirou o sigilo de parte da investigação sobre o filme "Dark Horse" e enviou a Fachin informações sobre supostos conflitos de interesse de Mendonça em um caso envolvendo cemitérios em São Paulo. Três ministros – Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli – permaneceram fora da disputa, abstendo‑se de participar das deliberações sobre Moraes.