Durante o encontro, José Fontelas Gomes – antigo presidente do Conselho de Arbitragem e atual vice‑presidente da Federação Portuguesa de Futebol – e José Borges, presidente da APAF, confirmaram que a decisão de acabar com as avaliações públicas foi tomada no início da presente temporada, após a suspensão, em janeiro, dos programas de televisão que tratavam do tema.
Os dois dirigentes abriram a sessão reconhecendo a dificuldade de recrutar árbitros mais jovens, apontando que o contexto mediático desfavorável complica a tarefa. «Não é fácil», afirmou Fontelas Gomes, referindo‑se ao ambiente de críticas constantes que afeta a atração de novos talentos.
Foram também lembradas as tentativas anteriores de maior transparência e de uma abordagem pedagógica, que, segundo os interlocutores, por vezes produziram o efeito contrário, ao serem usadas de forma negativa no exterior e levar o órgão a fechar novamente as portas para a divulgação.
A medida foi justificada como uma forma de «proteção de ruído», com o objetivo de garantir tranquilidade aos árbitros. «Se a explicação se torna num momento controverso, não tem benefício nenhum», enfatizou Fontelas Gomes, defendendo que o silêncio institucional pode ser mais benéfico para o desempenho em campo.
Borges acrescentou que o árbitro português está preparado e que a confiança da sociedade é essencial. «Tal como confiamos nas decisões dos treinadores e dirigentes, os árbitros precisam de tranquilidade para fazer o melhor trabalho possível», declarou, alertando que a comunicação social pode tanto elevar quanto derrubar um árbitro.
O vice‑presidente da FPF ainda lembrou as diretrizes da UEFA e citou o exemplo da Espanha, que divulga os árbitros 24 horas antes dos jogos, indicando que Portugal não pretende seguir esse modelo de abertura, preferindo manter a confidencialidade para preservar a integridade do ofício.